Especialista da Octopus destaca como inteligência artificial, checagem de informações e educação midiática podem ajudar a preservar a confiança do cidadão
Em resumo: Deepfakes são conteúdos realistas criados ou manipulados por inteligência artificial. Na comunicação pública, elas agravam o desafio da desinformação porque dão aparência de realidade a fatos que nunca aconteceram. Para Olavo Rocha, da Octopus, reagir depois que o conteúdo viralizou não basta: é preciso combinar regulação das plataformas, ferramentas de checagem, jornalismo ético e educação midiática. A campanha “V de Verdade”, criada pela Octopus para a Justiça Eleitoral, aplica esse conceito com os 5 Vs da desinformação.
A inteligência artificial generativa ampliou a capacidade de produzir imagens, vídeos, pesquisas, áudios e textos em escala. Mas também tornou mais complexo um desafio que já faz parte da comunicação atual: distinguir informação verdadeira de conteúdo manipulado.
Na comunicação pública, em que a credibilidade das mensagens está ligada diretamente ao acesso a direitos, serviços e informações de interesse coletivo, o avanço das deepfakes acrescenta uma nova camada de complexidade ao combate à desinformação.
O que são deepfakes?
Deepfakes são conteúdos realistas, como vídeos, áudios e imagens, produzidos ou manipulados por inteligência artificial para mostrar pessoas dizendo ou fazendo algo que nunca disseram ou fizeram.
Por que as deepfakes são um desafio para a comunicação pública?
Para Olavo Rocha, head de redação e especialista em comunicação pública da Octopus, agência de publicidade e propaganda com quase cinco décadas de atuação, a transformação não está apenas na tecnologia usada para fabricar conteúdos falsos, mas na velocidade e na descentralização com que as informações circulam.
“Hoje, todo mundo cria e gira notícia. Isso amplia a diversidade de vozes e a capacidade de produzir informação, mas também cria zonas cinzentas em que conteúdos verdadeiros, distorcidos e falsos circulam lado a lado. A deepfake potencializa esse problema porque pode dar aparência de realidade a algo que nunca aconteceu”, afirma.
Como a comunicação pública pode combater deepfakes e desinformação?
A comunicação pública precisa ir além da reação a conteúdos falsos depois que eles já viralizaram. A construção de confiança passa por um conjunto de estratégias:
- regulação das plataformas digitais;
- ferramentas de checagem, desenvolvidas e efetivamente utilizadas;
- jornalismo ético fortalecido;
- educação midiática e comunicação contínua com o cidadão.
Qual o papel da educação midiática?
Para o especialista, nenhuma tecnologia substitui a formação de um público capaz de questionar o que recebe.
“Não basta criar mecanismos para detectar uma falsificação. Preparar as pessoas para desconfiar do que parece fácil demais de acreditar, verificar a origem da informação e buscar fontes confiáveis também precisa fazer parte da estratégia de comunicação. A educação midiática tem papel central nesse processo”, explica.
Na prática, isso significa estimular três hábitos no cidadão:
- Desconfiar do que parece fácil demais de acreditar.
- Verificar a origem da informação.
- Buscar fontes confiáveis antes de compartilhar.
O que são os 5 Vs da desinformação?
Um exemplo dessa abordagem é a campanha “V de Verdade – Em terra de fatos, fake não tem vez”, criada pela Octopus para a Justiça Eleitoral. A iniciativa apresenta os 5 Vs (ou 5 Vês) da desinformação, um método simples para ajudar o público a identificar possíveis notícias falsas a partir de cinco características:
| V | O que observar |
|---|---|
| Volume | A enorme quantidade de informação que circula, o que dificulta separar o verdadeiro do falso |
| Variedade | A diversidade de temas e formatos a que estamos expostos |
| Velocidade | A rapidez com que o conteúdo é produzido e compartilhado, muitas vezes maior que a da checagem |
| Viralidade | A capacidade de um conteúdo fabricado atingir muitas pessoas em pouco tempo |
| Verossimilhança | O quanto a informação parece verdadeira, mesmo sendo enganosa |
As peças alertam que aquilo que parece atraente, surpreendente ou até inofensivo nem sempre corresponde à verdade. A narrativa também convida o público a comparar as informações que circulam nas redes com dados verificados, reforçando que escolhas livres e conscientes dependem do acesso a fatos reais. A campanha segue em veiculação nos canais oficiais da Justiça Eleitoral, em TVs e rádios.
“Os 5 Vs traduzem um tema complexo para uma linguagem simples e ajudam a transformar a checagem em um hábito. Em um ambiente em que a tecnologia consegue reproduzir a realidade com cada vez mais precisão, saber verificar se algo é verdadeiro passa a ser uma competência essencial para a democracia”, finaliza Olavo.
Perguntas frequentes sobre deepfakes e desinformação
O que é deepfake?
É um conteúdo realista, como vídeo, áudio ou imagem, criado ou manipulado por inteligência artificial para mostrar algo que nunca aconteceu.
Por que as deepfakes preocupam a comunicação pública?
Porque a credibilidade da comunicação pública está ligada ao acesso a direitos e serviços. Conteúdos falsos com aparência real podem enganar o cidadão e minar a confiança nas instituições.
Como identificar uma notícia falsa?
Desconfie do que parece fácil demais de acreditar, verifique a origem da informação, compare com fontes confiáveis e observe os 5 Vs da desinformação: volume, variedade, velocidade, viralidade e verossimilhança.
O que são os 5 Vs da desinformação?
É um método apresentado na campanha “V de Verdade”, da Justiça Eleitoral, para ajudar o público a identificar conteúdos potencialmente falsos a partir de cinco características: volume, variedade, velocidade, viralidade e verossimilhança.
O que é educação midiática?
É a formação do público para questionar, verificar e interpretar criticamente as informações que recebe, sendo uma das estratégias centrais contra a desinformação.
Sobre a Octopus
A Octopus é uma agência de publicidade e propaganda com quase cinco décadas de atuação, operações em São Paulo, Distrito Federal, Paraná e Minas Gerais e um grande portfólio de contas governamentais.